DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E AVALIAÇÃO
DIAGNÓSTICA
1. O
QUE É A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL?
A deficiência
intelectual é comumente associada ao funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e
limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais
como:
a) comunicação;
b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais;
d) utilização dos recursos da comunidade;
e) saúde e segurança;
f) habilidades acadêmicas;
g) lazer;
h) trabalho.
2. O DIAGNÓSTICO:
O diagnóstico da
deficiência intelectual deve ser feito por uma equipe multiprofissional,
composta pelo menos de um assistente social, um médico e um psicólogo. O assistente social através do estudo e
diagnóstico familiar (dinâmica de relações, situação do deficiente na família,
aspectos de aceitação ou não das dificuldades da pessoa etc.), analisará os
aspectos sócio-culturais.
O médico,
através da anamnese acurada e exame físico (recorrendo a avaliações
laboratoriais ou de outras especialidades, sempre que necessário) analisará os
aspectos biológicos. O psicólogo e pedagogo farão, respectivamente, avaliação
psicológica e o nível de deficiência cognitiva.
O diagnóstico de
deficiência intelectual é muitas vezes difícil. Numerosos fatores emocionais,
alterações de certas atividades nervosas superiores, como retardo específico de
linguagem ou dislexia, psicoses ou baixo nível sócio econômico ou cultural
podem estar na base da impossibilidade do ajustamento social adaptativo
adequado, sem que haja necessariamente deficiência intelectual. Estes fatores
devem ser levados em conta e, portanto adequadamente diagnosticados quando uma
criança suspeita de ter uma deficiência intelectual é submetida à avaliação de
sua capacidade intelectual permitindo a avaliação das possibilidades de
inserção social da criança e orientando a abordagem terapêutica e educacional.
3. A CARACTERIZAÇÃO
DOS VÁRIOS NÍVEIS DA DEFICIÊNCIA INTELECUAL:
l
Limite ou Bordeline.
Recentemente
introduzido na classificação, não reúne ainda, consenso entre os diferentes
autores sobre se deveria ou não fazer parte dela. Crianças que se enquadrem
neste nível, não se pode dizer, que apresentem deficiência intelectuais porque
são crianças com muitas possibilidades, revelando apenas um ligeiro atraso nas
aprendizagens ou algumas dificuldades concretas. Crianças de ambientes
sócio-culturais desfavorecidos podem ser aqui incluídas, assim como as crianças
com carências afetivas, de famílias mono-parentais, entre outras, que
apresentam desfasamentos nos aspectos de nível psicológico ligeiro, razões que
justificam estas resistências de consensualidade.
l Ligeiro:
Inclui a grande maioria dos deficientes que, tal como na anterior, não são
claramente deficientes intelectuais, mas pessoas com problemas de origem
cultural, familiar ou ambiental. Podem desenvolver aprendizagens sociais ou de
comunicação e têm capacidade de adaptação e integração no mundo laboral.
Apresentam um atraso mínimo nas áreas perceptivo-motoras. Na escola detectam-se
com mais facilidade as suas limitações intelectuais, podendo contudo, alcançar
um nível escolar equivalente ao 1º Ciclo do Ensino Básico. Geralmente não
apresentam problemas de adaptação ao ambiente familiar.
● Moderado ou médio:
Neste nível estão considerados os deficientes que podem adquirir hábitos de
autonomia pessoal e social, tendo maiores dificuldades que os anteriores. Podem
aprender a comunicar pela linguagem verbal, mas apresentam, por vezes,
dificuldades na expressão oral e na compreensão dos convencionalismos sociais.
Apresentam um desenvolvimento motor aceitável e tem possibilidades de adquirir
alguns conhecimentos pré-tecnológicos básicos que lhe permitam realizar algum
trabalho. Dificilmente chegam a dominar técnicas instrumentais de leitura, escrita
e cálculo.
l Severo ou grave:
Os indivíduos que se enquadram neste nível necessitam geralmente de proteção ou
de ajuda, pois o seu nível de autonomia pessoal e social é muito pobre. Por
vezes têm problemas psicomotores significativos. Poderão aprender algum sistema
de comunicação, pois a sua linguagem verbal será sempre muito precária.. Podem
ser treinados em algumas atividades de vida diária (AVD) básicas e
aprendizagens pré-tecnológicas muito simples.
l Profundo:
Este nível aplica-se só em caso de deficiência muito grave em que o desempenho
das funções básicas se encontra seriamente comprometido. Estes indivíduos
apresentam grandes problemas sensório-motores e de comunicação com o meio. São
dependentes de outros em quase todas as funções e atividades, pois os seus reflexos
físicos e intelectuais são gravíssimos. Excepcionalmente terão autonomia para
se deslocar e responder a treinos simples de auto-ajuda.
4. CLASSIFICAÇÃO
EDUCATIVA:
Dentro destas perspectivas apresenta-se
um breve esclarecimento referente à independência e educabilidade da criança
com deficiência intelectual. Segundo Grosman (1983, cit. por Vieira e Pereira,
2003) existem três níveis de educabilidade dos deficientes intelectuais:
* Educável: Capaz de aprender matérias acadêmicas (leitura,
escrita e matemática).
* Treinável: Capaz de aprender as
tarefas necessárias na vida diária (comer sozinho, vestir-se, e cuidar da sua
higiene pessoal).
* Grave e
profunda: Não é capaz de valer-se
por si mesmo, inclusive nas AVD`s e comunicação a nível funcional.
5.
COMPORTAMENTO ADAPTATIVO:
Um instrumento
de avaliação da Deficiência Intelectual a ser utilizada por professores para
medir seu desempenho a partir da adaptação e necessidade de intervenção de
outros profissionais de saúde e educação é o PAC – Perfil de Avaliação da Competência que abrange uma
investigação de: (1) Cuidado pessoal (2) Comunicação; (3) Socialização; (4)
Ocupação.
1
– Cuidado pessoal:
Hábitos à mesa; Locomoção; Higiene; Vestuário
2 – Comunicação: Linguagem falada; Linguagem
escrita; Atividade numérica; Conceitos básicos (usa advérbios discrimina
diferenças e igualdade). Temos como principais advérbios: Lugar: aqui,
lá, perto, longe, centro (meio) através; Tempo: ontem, hoje, amanhã,
antes, durante, depois; Modo: muito, pouco, bom, ruim. Se a pessoa tiver
deficiências de órgãos sensoriais deve-se descrever e mensurar (acuidade
auditiva, visual, déficits motores, disartrias, etc.)
3 – Socialização : Atividades domésticas; Atividades
recreativas; Comportamento em sala de aula; Sexualidade
4 – Ocupação: Agilidade; Destreza;
Concentração; Responsabilidade (capacidade de cumprir ordens)
6. INTERVENÇÃO
PEDAGÓGICA:
Devemos partir do princípio de
que o deficiente intelectual é um ser humano com possibilidades a nível educacional
e social e que deve ser estimulado ao nível do desenvolvimento cognitivo e
nunca excluído das ações sociais diárias. A análise de tarefas é um sistema de
observação e de (re)avaliação de acordo com o desenvolvimento da criança,
evitando, desta forma, colocá-la perante tarefas demasiado fáceis, o que
provoca desinteresse, ou demasiado difíceis, levando à frustração. Para evitar
esta situação devemos elaborar, para a pessoa com deficiência intelectual, um
bom plano educacional especializado que, no concreto, vise a prevenção dos
efeitos secundários da deficiência intelectual.
7. ATIVIDADES
PARA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA:
7.1. ATIVIDADES PARA O
ESQUEMA CORPORAL:
-
Nomear as partes do corpo humano
- Observar o próprio corpo e
nomear suas partes
- Uso de massa de modelar para
formar o corpo
- Desenho da figura humana
- Montar quebra-cabeça do corpo
humano
- Corresponder partes do corpo e
suas funções e vestuário
- Jogo da memória temático
- Cuidados com o corpo
(atividades de vida diária)
- Noções de lateralidade e
orientação espacial e temporal
7.1.1.
EXERCÍCIOS DE ORIENTAÇÃO
ESPACIAL:
- Deve-se exercitar as noções básicas de referência
espacial: Frente, trás, em baixo, em cima, direita e esquerda (é conveniente
começar pelas mãos)
- Usando a mesa de trabalho pode-se trabalhar com folhas
quadriculadas, dando instruções, como: comece no ponto 0, faça um traço de 3
quadrados para direita, desça dois quadrados, etc. O ideal é que o traçado
permita-o formar uma figura conhecida exercitando a sua noção de orientação espacial..
7.1.2.
EXERCÍCIOS DE ORDENAÇÃO TEMPORAL:
- È importante trabalhar nesta seção a forma social de
organização do tempo: - Antes e depois, hoje, amanhã e ontem, dia e noite, a
semana, o mês, as estações do ano, a duração.
7.2.
ATIVIDADES DE COORDENAÇÃO MOTORA:
•
Psicomotricidade
fina:
Modelagem, montar blocos, furado e perfurado,
rasgado, recortes, dobraduras, atividades cotidianas.
7.2.1. ESTRATÉGIAS PARA SE TRABALHAR A
MODELAGEM:
- Deve-se começar fazendo
bolinhas de qualquer tamanho. Depois faz-se um modelo para que as crianças
façam bolinhas do tamanho proposto. Pode-se propor também fazer bolinhas de
tamanhos crescente e decrescente.
- Fazer o exercício anterior,
porém, de olhos fechados.
- Faz-se uma esfera grande, com
mais ou menos 2 cm de diâmetro. Pede-se à criança que pegue a esfera entre o
polegar e o indicador, mantendo o cotovelo sobre a mesa e o antebraço mais vertical
possível. Com o auxílio do dedo indicador, a criança deve fazer rolar a esfera
várias vezes no sentido horário. Repetir o movimento no sentido contrário.
7.2.2. ESTRATÉGIAS PARA SE
TRABALHAR O BORDADO E O TECIDO:
- Em pranchas de madeira, papelão
e plástico, trespassar um cordão. No começo não é necessário seguir um padrão
particular. Depois será pedido a ela que siga um determinado contorno ou que
siga diferentes tipos de alternâncias.
- Fabricar colares e pulseiras
com miçangas ou bolas perfuradas. Pode-se pedir que sigam determinadas séries
de cor, tamanhos e formas.
- Seguir o contorno de figuras sobre
cartolina com agulha sem pontas e lã colorida.
7.2.3. ESTRATÉGIAS PARA
SE TRABALHAR O FURADO E O PERFURADO:
- Perfurar dentro de uma folha ou
dentro de um desenho.
- Perfurar entre duas linhas.
Estas devem ir estreitando-se progressivamente.
- Perfurar entre faixas que podem
ser retas ou curvas.
- Perfurar sobre linhas retas e
desenhos que contenham sobretudo linhas retas.
- Perfurar desenhos com linhas
curvas.
7.2.4. ESTRATÉGIAS PARA
SE TRABALHAR O FURADO E O RASGADO:
- Rasgar folhas de papel em tiras.
- Rasgar dentro de duas linhas.
- Rasgar sobre linhas retas e
curvas
•
Psicomotricidade
ampla:
Atividades
básicas como andar em forma retilínea, curvilínea, saltar, pular, arremessar objetos,
quicar, abraçar e outros.
7.3. ATIVIDADE DE
PERCEPÇÃO VISUAL:
- Exercício de atenção visual
- Exercício que ajudam a estimular os
movimentos direcionais
- Exercício que ajudam a estimular a
percepção de formas
- Coordenação visomotora
7.3.1. ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A
QUALIDADE DA MEMÓRIA VISUAL:
- Apresentar aos alunos objetos
pedir para observá-los e em seguida fechar os olhos. Em seguida escondem-se os
objetos e pede-se que o aluno abra os olhos e os nomeie.
- Pedir-lhes que desenhe ou
descrevam de memória: animais de zoológico, o que observam no caminho de casa.
7.3.4. ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DA MEMÓRIA AUDITIVA:
- Repetição de sequência dadas com
palmas pelo professor, estas repetições podem se dá também com mos pés, sons,
etc.
- Brincar de repetir frases cada
vez mais longas. Cada jogador deve repetir mais uma frase e agregar às
anteriores
7.4. ATIVIDADES DE
LEITURA E ESCRITA:
OBS: É PRIMORDIAL REALIZAR ANTES O
DIAGNÓSTICO DOS NÍVEIS PSICOGENÉTICOS
- Análise fônica e compreensão leitora
- Alfabeto móvel (Nos três tamanhos)
- Bingo da letra inicial
- Alfabeto ilustrado
- Dominó da letra inicial
- Encaixe de sílabas para formação de
palavras
- Caça rimas
- Loto leitura
- Dominó de palavras
- Dado sonoro
- Contação de estórias e interpretação
oral
- Caça palavras
- Dominó de frases
- Carta enigmática
- Dado de sílabas
7.5. ATIVIDADES DE
ABORDAGEM MATEMÁTICA:
- Atividades para desenvolver a seriação
e competência de classificação e correspondência
- Atividades com contagens de grãos,
tampinhas, etc...
- Atividades que trabalhem as noções de
valor e quantidade
- Reconhecimento de dinheiro e simulação
do uso com supermercadinho
- Tangram
- Blocos Lógicos
- Numerais e Quantidades
- Jogo da memória de números
- Ábaco
- Material dourado
- Resta 1
- Jogo da velha
- Dama
- Boliche
- Cuisinaire
- Calendário
- Jogo da trilha
- Dominó
- Pescaria
7.5.1. EXERCÍCIOS PARA DESENVOLVER A
COMPETÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO E SERIAÇÃO:
- Peça a criança que classifique
objetos em grupos. Pergunte depois a ela que regras utilizaram para esta classificação.
- Utilizando uma variedade de
objetos, pedir a uns estudantes que façam um grupo. Logo outros estudantes
adivinharão as propriedades dos objetos pertencentes a esse grupo, por exemplo:
figuras geométricas de diferentes tamanhos, cores e formas. Podem ser classificadas
por cores formas e tamanhos.
- Entregue à criança alguns
objetos de diferentes comprimentos e peça a ela que os coloque em ordem a
partir do mais curto até o mais longo.
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