quinta-feira, 21 de novembro de 2013

DEFICIÊNCIA INTELCTUAL


DEFICIÊNCIA INTELECTUAL E AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA


1. O QUE É A DEFICIÊNCIA INTELECTUAL?


A deficiência intelectual é comumente associada ao funcionamento intelectual significativamente inferior à média, com manifestação antes dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, tais como:


a) comunicação;
b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais;
d) utilização dos recursos da comunidade;
e) saúde e segurança;
f) habilidades acadêmicas;
g) lazer;
h) trabalho.

2. O DIAGNÓSTICO:


O diagnóstico da deficiência intelectual deve ser feito por uma equipe multiprofissional, composta pelo menos de um assistente social, um médico e um psicólogo.  O assistente social através do estudo e diagnóstico familiar (dinâmica de relações, situação do deficiente na família, aspectos de aceitação ou não das dificuldades da pessoa etc.), analisará os aspectos sócio-culturais.

O médico, através da anamnese acurada e exame físico (recorrendo a avaliações laboratoriais ou de outras especialidades, sempre que necessário) analisará os aspectos biológicos. O psicólogo e pedagogo farão, respectivamente, avaliação psicológica e o nível de deficiência cognitiva.

O diagnóstico de deficiência intelectual é muitas vezes difícil. Numerosos fatores emocionais, alterações de certas atividades nervosas superiores, como retardo específico de linguagem ou dislexia, psicoses ou baixo nível sócio econômico ou cultural podem estar na base da impossibilidade do ajustamento social adaptativo adequado, sem que haja necessariamente deficiência intelectual. Estes fatores devem ser levados em conta e, portanto adequadamente diagnosticados quando uma criança suspeita de ter uma deficiência intelectual é submetida à avaliação de sua capacidade intelectual permitindo a avaliação das possibilidades de inserção social da criança e orientando a abordagem terapêutica e educacional.


3. A CARACTERIZAÇÃO DOS VÁRIOS NÍVEIS DA DEFICIÊNCIA INTELECUAL:


l  Limite ou Bordeline.


Recentemente introduzido na classificação, não reúne ainda, consenso entre os diferentes autores sobre se deveria ou não fazer parte dela. Crianças que se enquadrem neste nível, não se pode dizer, que apresentem deficiência intelectuais porque são crianças com muitas possibilidades, revelando apenas um ligeiro atraso nas aprendizagens ou algumas dificuldades concretas. Crianças de ambientes sócio-culturais desfavorecidos podem ser aqui incluídas, assim como as crianças com carências afetivas, de famílias mono-parentais, entre outras, que apresentam desfasamentos nos aspectos de nível psicológico ligeiro, razões que justificam estas resistências de consensualidade.

 

l   Ligeiro:

Inclui a grande maioria dos deficientes que, tal como na anterior, não são claramente deficientes intelectuais, mas pessoas com problemas de origem cultural, familiar ou ambiental. Podem desenvolver aprendizagens sociais ou de comunicação e têm capacidade de adaptação e integração no mundo laboral. Apresentam um atraso mínimo nas áreas perceptivo-motoras. Na escola detectam-se com mais facilidade as suas limitações intelectuais, podendo contudo, alcançar um nível escolar equivalente ao 1º Ciclo do Ensino Básico. Geralmente não apresentam problemas de adaptação ao ambiente familiar.

●  Moderado ou médio:


Neste nível estão considerados os deficientes que podem adquirir hábitos de autonomia pessoal e social, tendo maiores dificuldades que os anteriores. Podem aprender a comunicar pela linguagem verbal, mas apresentam, por vezes, dificuldades na expressão oral e na compreensão dos convencionalismos sociais. Apresentam um desenvolvimento motor aceitável e tem possibilidades de adquirir alguns conhecimentos pré-tecnológicos básicos que lhe permitam realizar algum trabalho. Dificilmente chegam a dominar técnicas instrumentais de leitura, escrita e cálculo.

 

l  Severo ou grave:


Os indivíduos que se enquadram neste nível necessitam geralmente de proteção ou de ajuda, pois o seu nível de autonomia pessoal e social é muito pobre. Por vezes têm problemas psicomotores significativos. Poderão aprender algum sistema de comunicação, pois a sua linguagem verbal será sempre muito precária.. Podem ser treinados em algumas atividades de vida diária (AVD) básicas e aprendizagens pré-tecnológicas muito simples.

 

l Profundo:

Este nível aplica-se só em caso de deficiência muito grave em que o desempenho das funções básicas se encontra seriamente comprometido. Estes indivíduos apresentam grandes problemas sensório-motores e de comunicação com o meio. São dependentes de outros em quase todas as funções e atividades, pois os seus reflexos físicos e intelectuais são gravíssimos. Excepcionalmente terão autonomia para se deslocar e responder a treinos simples de auto-ajuda.


4. CLASSIFICAÇÃO EDUCATIVA:


Dentro destas perspectivas apresenta-se um breve esclarecimento referente à independência e educabilidade da criança com deficiência intelectual. Segundo Grosman (1983, cit. por Vieira e Pereira, 2003) existem três níveis de educabilidade dos deficientes intelectuais:

 

* Educável: Capaz de aprender matérias acadêmicas (leitura, escrita e matemática).

* Treinável: Capaz de aprender as tarefas necessárias na vida diária (comer sozinho, vestir-se, e cuidar da sua higiene pessoal).

 

* Grave e profunda: Não é capaz de valer-se por si mesmo, inclusive nas AVD`s e comunicação a nível funcional.


5. COMPORTAMENTO ADAPTATIVO:


Um instrumento de avaliação da Deficiência Intelectual a ser utilizada por professores para medir seu desempenho a partir da adaptação e necessidade de intervenção de outros profissionais de saúde e educação é o PAC – Perfil de Avaliação da Competência que abrange uma investigação de: (1) Cuidado pessoal (2) Comunicação; (3) Socialização; (4) Ocupação.

 

1 – Cuidado pessoal: Hábitos à mesa; Locomoção; Higiene; Vestuário

2 – Comunicação: Linguagem falada; Linguagem escrita; Atividade numérica; Conceitos básicos (usa advérbios discrimina diferenças e igualdade). Temos como principais advérbios: Lugar: aqui, lá, perto, longe, centro (meio) através; Tempo: ontem, hoje, amanhã, antes, durante, depois; Modo: muito, pouco, bom, ruim. Se a pessoa tiver deficiências de órgãos sensoriais deve-se descrever e mensurar (acuidade auditiva, visual, déficits motores, disartrias, etc.)

3 – Socialização : Atividades domésticas; Atividades recreativas; Comportamento em sala de aula; Sexualidade

4 – Ocupação: Agilidade; Destreza; Concentração; Responsabilidade (capacidade de cumprir ordens)


6. INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA:


Devemos partir do princípio de que o deficiente intelectual é um ser humano com possibilidades a nível educacional e social e que deve ser estimulado ao nível do desenvolvimento cognitivo e nunca excluído das ações sociais diárias. A análise de tarefas é um sistema de observação e de (re)avaliação de acordo com o desenvolvimento da criança, evitando, desta forma, colocá-la perante tarefas demasiado fáceis, o que provoca desinteresse, ou demasiado difíceis, levando à frustração. Para evitar esta situação devemos elaborar, para a pessoa com deficiência intelectual, um bom plano educacional especializado que, no concreto, vise a prevenção dos efeitos secundários da deficiência intelectual.



7. ATIVIDADES PARA INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA:


7.1. ATIVIDADES PARA O ESQUEMA CORPORAL:


- Nomear as partes do corpo humano

- Observar o próprio corpo e nomear suas partes

- Uso de massa de modelar para formar o corpo

- Desenho da figura humana

- Montar quebra-cabeça do corpo humano

- Corresponder partes do corpo e suas funções e vestuário

- Jogo da memória temático

- Cuidados com o corpo (atividades de vida diária)

- Noções de lateralidade e orientação espacial e temporal


7.1.1.      EXERCÍCIOS DE ORIENTAÇÃO ESPACIAL:


- Deve-se exercitar as noções básicas de referência espacial: Frente, trás, em baixo, em cima, direita e esquerda (é conveniente começar pelas mãos)
- Usando a mesa de trabalho pode-se trabalhar com folhas quadriculadas, dando instruções, como: comece no ponto 0, faça um traço de 3 quadrados para direita, desça dois quadrados, etc. O ideal é que o traçado permita-o formar uma figura conhecida exercitando a sua noção de orientação espacial..

7.1.2.      EXERCÍCIOS DE ORDENAÇÃO TEMPORAL:


- È importante trabalhar nesta seção a forma social de organização do tempo: - Antes e depois, hoje, amanhã e ontem, dia e noite, a semana, o mês, as estações do ano, a duração.

 

 7.2. ATIVIDADES DE COORDENAÇÃO MOTORA:

   Psicomotricidade fina:


  Modelagem, montar blocos, furado e perfurado, rasgado, recortes, dobraduras, atividades cotidianas.


7.2.1. ESTRATÉGIAS PARA SE TRABALHAR A MODELAGEM:

- Deve-se começar fazendo bolinhas de qualquer tamanho. Depois faz-se um modelo para que as crianças façam bolinhas do tamanho proposto. Pode-se propor também fazer bolinhas de tamanhos crescente e decrescente.    
- Fazer o exercício anterior, porém, de olhos fechados.
- Faz-se uma esfera grande, com mais ou menos 2 cm de diâmetro. Pede-se à criança que pegue a esfera entre o polegar e o indicador, mantendo o cotovelo sobre a mesa e o antebraço mais vertical possível. Com o auxílio do dedo indicador, a criança deve fazer rolar a esfera várias vezes no sentido horário. Repetir o movimento no sentido contrário.

   7.2.2. ESTRATÉGIAS PARA SE TRABALHAR O BORDADO E O TECIDO:

- Em pranchas de madeira, papelão e plástico, trespassar um cordão. No começo não é necessário seguir um padrão particular. Depois será pedido a ela que siga um determinado contorno ou que siga diferentes tipos de alternâncias.
- Fabricar colares e pulseiras com miçangas ou bolas perfuradas. Pode-se pedir que sigam determinadas séries de cor, tamanhos e formas.
- Seguir o contorno de figuras sobre cartolina com agulha sem pontas e lã colorida.

     7.2.3. ESTRATÉGIAS PARA SE TRABALHAR O FURADO E O PERFURADO:

- Perfurar dentro de uma folha ou dentro de um desenho.
- Perfurar entre duas linhas. Estas devem ir estreitando-se progressivamente.
- Perfurar entre faixas que podem ser retas ou curvas.
- Perfurar sobre linhas retas e desenhos que contenham sobretudo linhas retas.
- Perfurar desenhos com linhas curvas.

     7.2.4. ESTRATÉGIAS PARA SE TRABALHAR O FURADO E O RASGADO:

- Rasgar folhas de papel em tiras.
- Rasgar dentro de duas linhas.
- Rasgar sobre linhas retas e curvas

   Psicomotricidade ampla:


Atividades básicas como andar em forma retilínea, curvilínea, saltar, pular, arremessar objetos, quicar, abraçar e outros.

 

7.3. ATIVIDADE DE PERCEPÇÃO VISUAL:


- Exercício de atenção visual

- Exercício que ajudam a estimular os movimentos direcionais

- Exercício que ajudam a estimular a percepção de formas

- Coordenação visomotora


     7.3.1. ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DA MEMÓRIA VISUAL:

- Apresentar aos alunos objetos pedir para observá-los e em seguida fechar os olhos. Em seguida escondem-se os objetos e pede-se que o aluno abra os olhos e os nomeie.

- Pedir-lhes que desenhe ou descrevam de memória: animais de zoológico, o que observam no caminho de casa.

7.3.4. ESTRATÉGIAS PARA MELHORAR A QUALIDADE DA MEMÓRIA AUDITIVA:

- Repetição de sequência dadas com palmas pelo professor, estas repetições podem se dá também com mos pés, sons, etc.

- Brincar de repetir frases cada vez mais longas. Cada jogador deve repetir mais uma frase e agregar às anteriores


7.4. ATIVIDADES DE LEITURA E ESCRITA:

 

OBS: É PRIMORDIAL REALIZAR ANTES O DIAGNÓSTICO DOS NÍVEIS PSICOGENÉTICOS


- Análise fônica e compreensão leitora

- Alfabeto móvel (Nos três tamanhos)

- Bingo da letra inicial

- Alfabeto ilustrado

- Dominó da letra inicial

- Encaixe de sílabas para formação de palavras

- Caça rimas

- Loto leitura

- Dominó de palavras

- Dado sonoro

- Contação de estórias e interpretação oral

- Caça palavras

- Dominó de frases

- Carta enigmática

- Dado de sílabas


7.5. ATIVIDADES DE ABORDAGEM MATEMÁTICA:

 

- Atividades para desenvolver a seriação e competência de classificação e correspondência

- Atividades com contagens de grãos, tampinhas, etc...

- Atividades que trabalhem as noções de valor e quantidade

- Reconhecimento de dinheiro e simulação do uso com supermercadinho

- Tangram

- Blocos Lógicos

- Numerais e Quantidades

- Jogo da memória de números

- Ábaco

- Material dourado

- Resta 1

- Jogo da velha

- Dama

- Boliche

- Cuisinaire

- Calendário

- Jogo da trilha

- Dominó

- Pescaria


       7.5.1. EXERCÍCIOS PARA DESENVOLVER A COMPETÊNCIA DE CLASSIFICAÇÃO E SERIAÇÃO:

- Peça a criança que classifique objetos em grupos. Pergunte depois a ela que regras utilizaram para esta classificação.
- Utilizando uma variedade de objetos, pedir a uns estudantes que façam um grupo. Logo outros estudantes adivinharão as propriedades dos objetos pertencentes a esse grupo, por exemplo: figuras geométricas de diferentes tamanhos, cores e formas. Podem ser classificadas por cores formas e tamanhos.
- Entregue à criança alguns objetos de diferentes comprimentos e peça a ela que os coloque em ordem a partir do mais curto até o mais longo.


7.6. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS:

 

- Caixa de areia

- Teatro

- Uso do espelho

- Boliche de letras

- Uso do boliche

- Jogo das argolas


Nenhum comentário:

Postar um comentário